(God Help the Girl)
Deixa eu pensar. Meu ano começou de um jeito inacabado. Todas as vezes eu penso em maneiras de encerrar minhas listas, ticar minhas pendências, liquidar minhas dívidas comigo mesma. Prometi amar mais com o corpo, um comprometimento meu com minha pele, dar a chance necessária para que eu inspire o ar com força e o expire com mais força ainda. O problema é que o coração fica bem ali, no meio do caminho. O ar passa por ele, confunde tudo e lá estou eu de novo, às voltas com as minhas conversas blocadas com as paredes, refletidas em espelhos. Pareço otimista, amada, apaixonada. Deve ser o cheiro da noite que impregna nele ou o olhar maldoso e frio que ele lança vez em quando, na mesma frequência em que ensaia um sorriso puro. O jeito quieto vestido de timidez. Ou o jeito que minha boca encaixa na curva do pescoço dele e vice-versa. Ele tem um jeito vadio e solto que me deixa sem voz, diminuta, quase indefesa e frágil. E eu realmente amo e detesto isso. Faz com que eu sinta que preciso de proteção, indo contra tudo que aprendi sobre ser solitária, solta, livre e bagunçada. Apesar disso tudo, amo cada segundo em que estou perto o bastante para sentir cheiros nossos misturados. Longe deles, penso em sair correndo por aí, em busca da antiga condição que me propus viver. Mas este ano, ah este ano... eu serei mais forte. Meu escudo de flores está por aí, em algum lugar desta casa. É bom que não caia do caminhão de mudança.
Ouvi essa música 105 vezes.
E em todas, pensei em todas as cenas das minhas esperas.